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Fake News: Como identificar e evitar a propagação

Notícias falsas podem ser tipificadas como crime e queimam seu filme tanto nas redes sociais quanto na vida real

O mundo da internet é maravilhoso e, ao mesmo tempo, perigoso. Se por um lado, passamos a ter acesso a uma infinidade de informações em tempo real de qualquer parte do mundo, por outro ficamos à mercê de dados falsos, notícias inventadas que podem causar muito mais estrago do que conseguimos imaginar. Diversos escândalos recentes trouxeram o assunto à tona e chegaram até a gerar o termo “fake news” (notícias falsas, em português) para descrever esse tipo de desinformação.

É muito difícil, com a quantidade de informação passada pela internet, discernir perfeitamente o que é verdade e o que é mentira em artigos e matérias publicadas na rede. É claro que muitas das fake news podem ser desmascaradas com o uso do bom senso, mas esperar isso o tempo todo de todo mundo é querer demais.

Empresas como a Google e o Facebook estão trabalhando com seus sistemas de inteligência artificial para identificar e remover de suas plataformas notícias falsas, mas é um trabalho árduo: se para nós já é difícil, às vezes, descobrir fake news, imagina para um computador que ainda está aprendendo a entender as coisas.

E mais produzir fake news pode ser classificado como crime contra a honra – isso já foi defendido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). E tramitam dois projetos de lei para criminalizar e punir tanto quem produz quanto quem dissemina notícias falsas para prejudicar pessoas, a saúde, a segurança, a economia ou o processo eleitoral. Para que você fique por dentro, estes PLs são o 6.812/2017, do deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) e o 473/2017, do senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Queima filme

Uma forma muito eficaz de queimar seu filme rapidinho nas redes sociais e na vida “ao vivo”, fora delas, é compartilhando fake news. Sempre haverá alguém que sabe que aquilo não é verdade e que já olhará torto para você. E isso pode ser prejudicial tanto para sua imagem pessoal quando para a profissional. Empresas não gostam de funcionários mentirosos, clientes evitam empreendedores que espalham boatos e mentiras, as pessoas se afastam de quem tem esse mau hábito.

“A rede social é uma vitrine, e quando você compartilha um conteúdo, está tomando para si o discurso nele escrito. Não à toa, o número de compartilhamentos é uma das principais métricas de redes sociais”, explica Laura Fraga, especialista em marketing digital.

Ela confirma que esse comportamento pode comprometer a reputação de quem clicou no compartilhar sem pensar nas consequências: “Isso é básico, não pega bem em nenhum tipo de relação. Não esqueça que você não está em um ambiente privado. A rede social, por mais filtros de privacidade que você use, é pública. Tudo dito ali será utilizado contra ou a favor de você.”

Na opinião de Armindo Ferreira, especialista em novas tecnologias da comunicação, esperar que as próprias redes sociais criem ferramentas de filtro ou de denúncia de fake news é perda de tempo. “É necessário que cada pessoa entenda o impacto que uma notícia falsa pode trazer para a sociedade”, afirma.

Guia prático para identificar e não espalhar fake news

Laura e Armindo dão as dicas mais importantes para que você não corra o risco de cometer um crime nem de queimar sua imagem com colegas, clientes, familiares e amigos. Identificar fake news não é tão difícil; só requer um pouco de atenção, discernimento e pesquisas na própria internet.

– Verifique a reputação da fonte da notícia

“As pistas mais evidentes são sites estranhos, de que você nunca ouviu falar, e estudos sem nomes que credibilizam alguma coisa. Toda matéria precisa de uma fonte, jogar o nome da pessoa no Google e ver se ela existe e realmente atua naquela área é fácil”, diz Laura.

– É uma matéria ou uma opinião?

Armindo destaca que, muitas vezes, o conteúdo é um artigo opinativo, não uma matéria jornalística que ouviu todos os lados e oferece as fontes da informação com links para que você possa consultar. E, muitas vezes, as pessoas compartilham opiniões como se fossem fatos, incorrendo nas “notícias” falsas.

– Cheque se grandes veículos estão falando sobre o assunto

A “notícia” é bombástica: “Político X será preso hoje à noite”. Mas só um site está falando sobre ela. Ou, ainda, o texto – exatamente igual – está replicado em diversos sites com o mesmo viés político, e apenas neles. Os grandes portais, jornais e veículos de comunicação não têm nada sobre o assunto. Tudo facilmente verificável em qualquer site de busca. Fuja, miga, é fake news na certa.

– Atenção aos sites com nomes quase iguais aos de grandes veículos

Laura observa que muitos sites de fake news têm nomes e URLs muito parecidos com os de veículos de comunicação confiáveis, colocando apenas um número no final, por exemplo.

– Questione-se sobre as fontes do texto

Para dar credibilidade ao texto, os sites de fake news muitas vezes mencionam grandes jornalistas como fontes que teriam dito algo controverso. Questione-se: essa pessoa realmente falaria isso? Por quê? Se ela é do Grupo X ou do Jornal Y, por que falaria para um site desconhecido sobre algo polêmico? E, mais uma vez: procure no Google se há alguma chance de isso ser real.

– O texto político é muito contundente em relação ao que você acredita?

Não importa se sua posição política é à esquerda ou à direita: desconfie se um texto que se apresenta como notícia for muito certeiro em relação às suas convicções. Matérias jornalísticas normalmente ouvem os dois lados e mantêm a isenção. Tudo que for diferente disso é opinião e, caso se encaixe em outros itens desta lista, tem grandes chances de ser fake news.

– É um conteúdo de ataque direto contra um político ou partido?

Isso já é controverso normalmente, e tende a piorar muito daqui para a frente, já que estamos em ano de eleições. Se o texto que você ler tiver como objetivo claro atacar um politico, candidato ou partido, sem embasamento ou fontes confiáveis, pode saber que é fake news. “Vão tentar destruir a reputação de todos os políticos, independentemente da orientação política, e transformar os eleitores em propagadores de mentiras”, prevê Laura. Não seja essa pessoa que se deixa ser usada como massa de manobra.

– Duvide de áudios de Whatsapp

Você está de boas no seu trabalho e de repente recebe no Whatsapp um áudio creditado a um delegado de polícia falando algo super polêmico e pedindo para que o áudio seja compartilhado. Isso tem as palavras FAKE NEWS piscando ao redor. “É fácil uma pessoa se passar por outra. Cuidado com as paixões”, alerta Laura.

– Só compartilhe o que você falaria ao vivo sem medo de passar vergonha

“Reflita sobre a real importância daquilo e, principalmente, sobre o impacto que aquilo pode trazer”, orienta Armindo. Laura complementa, para finalizar: “Costumo brincar com meus alunos que em rede social a gente só fala ou posta o que puder ser dito em uma roda com sua avó, seu chefe e sua melhor amiga. Se algum deles não puder escutar, ou souber que não é verdade, melhor não dizer”.

 

Fonte.: mdemulher.abril.com.br

 

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